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Temos realmente livre arbítrio?

A ciência tem provado constantemente em suas pesquisas neurocientíficas que nossas ações são muito mais inconscientes e impulsivas do que temos percepção.

Nem sempre o que dizemos representa de fato o que fazemos ou como nos sentimos em relação a uma escolha ou decisão tomada. Muitas vezes projetamos um cenário almejado ou que no momento da resposta, seria o correto a ser respondido.

Há uma grande incógnita entre aquilo que somos levados a querer daquilo que realmente queremos.

Mas o quanto disso é decisão nossa consciente (racional) e o quanto disso é influência do que sofremos?

Temos realmente livre árbitro?

Bom, eu precisarei de mais algumas linhas para formular um raciocínio e te auxiliar a entender como nosso cérebro funciona, antes de responder essa pergunta polêmica, então por mais que o seu cérebro seja levado a querer a resposta agora (lembre-se, ele sempre vai priorizar o prazer imediato e vai postergar a dor futura), peço que tenha um pouquinho de paciência e leia esse texto até o final, prometo que vai valer a pena 😉

A melhor forma de entendermos nosso comportamento irracional é autoconhecimento e hiperconsciência. 85 a 95% das nossas ações são inconscientes (PRADEEP, A. K. O cérebro consumista, 2012) mas tudo o que é inconsciente nos afeta até que tenhamos percepção racional (e de preferência, autocontrole) daquilo.

Trazer para o racional é sempre a melhor forma de ter controle sobre nossos atos e processos automáticos. Toda vez que temos consciência, que nos forçamos a pensar naquele comportamento, naquele sentimento momentâneo ou no que possivelmente está sendo o gatilho daquela atitude, passamos a exercer maior controle sobre nossas vidas. A tal da inteligência emocional.

Mas temos controle sobre nossas emoções? Não. Sentiremos as emoções independente de nosso comportamento, o que difere é como eu reajo diante daquela emoção. Por exemplo, se eu sinto raiva, eu explodo como forma de esvair todo aquele sentimento ruim dentro de mim ou eu espero ela passar para que eu possa, de forma racional, pensar a respeito daquela situação que gerou o sentimento inicialmente?

Na minha opinião, temos livre árbitro sim. Prefiro acreditar que não somos marionetes levadas pelos nossos processos genéticos, ancestrais, instintivos ou automáticos, por mais que tudo isso seja responsável pela grande fatia das nossas ações.

Prefiro analisar tudo isso como forma de economia de energia do nosso cérebro (3% de massa corporal que consome 20% da nossa energia diariamente), afinal de contas, não precisamos a todo momento estar racionalizando sobre algo para que aquilo aconteça de fato, por exemplo, não precisamos sentir nosso coração batendo e o sangue correndo pelas nossas veias para que estejamos vivo de fato, isso e mais um monte de outros eventos estão acontecendo no meu corpo sem que eu precise parar para pensar a respeito.

No entanto, as informações que recebemos nos influencia? Sim. O ambiente em que vivemos nos molda? Sim. A cultura em que vivemos nos influencia? Sim. Temos muito mais dos nossos pais no nosso comportamento do que imaginamos, até porque aprendemos pelo exemplo e repetição até que nosso cérebro esteja totalmente formado e amadureça.

A grande questão é o quanto eu permito que fatores, dados e acontecimentos externos tomem conta de quem eu sou, o quanto eu racionalizo a respeito e crio o meu próprio senso crítico. Graças à Neuroplasticidade podemos mudar qualquer coisa referente ao nosso comportamento ou habilidade, mas esse é um outro assunto para outro texto.

Compartilhe com a gente o que você pensa a respeito sobre o livre arbítrio, mesmo que sua opinião seja diferente, acreditamos que são as ideias diferentes e os diferentes tipos de pensar que movem a humanidade no quesito evolução 😉

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