Neuromarketing

O Neuromarketing e a Realidade Virtual x Realidade Aumentada

Nosso post de hoje não terá foco acadêmico (a não ser pelos links externos que serão fornecidos ao longo dessa matéria, para aprofundamento do tema a quem interessar) quero apenas compartilhar minha experiência com a realidade realidade virtual e falar um pouquinho da diferença para a realidade aumentada e de sua ligação com o Neuromarketing (não vou me ater ao português correto, até porque quem analisa isso é o cérebro consciente, ou seja 5% do cérebro apenas, rs).

No dia 23 de Julho (sábado) fui até o Shopping Barigui na cidade de Curitiba-PR com minha irmã com o propósito maior de vivenciar a experiência proporcionada pelo O Boticário sobre realidade virtual (experiência que inibe os sentidos e te transporta para a realidade).

A cena simulada ou jogo, consistia num “slackline” que atravessava de um prédio para o outro no qual você tinha que se equilibrar para chegar ao destino passando por um perfume Quasar no tamanho de uma pessoa que precisava ser tocado e obter assim, um bônus de desconto que era entregue pela promotora da ação, logo após a conclusão da experiência. Simples não? Aguarde cenas dos próximos capítulos… rs

Eu já havia assistido a vários vídeos na Internet, inclusive utilizo alguns deles nas minhas palestras ou workshops de Neuromarketing (clique aqui para assistir) mas eu não havia ainda “vivenciado” de fato um simulador desse tipo.

Acontece que ao vestir os óculos que me colocavam dentro da cena (mesmo não tendo os melhores gráficos visuais do mundo), me faziam sentir “efetivamente” dentro do cenário simulado, além disso, eu também recebi um fone de ouvido que tocava uma música (eu acho, mas nem tenho certeza de que música era, nesse ponto percebo o quanto nossos sentidos recebem mais informações do que realmente temos consciência de processar) e ao iniciar a travessia a promotora pede para que eu olhasse para baixo… Nesse momento eu vi pessoas andando, carros passando, eu tentei de todas as formas dizer para o cérebro “calma, isso é só um jogo, você está dentro de uma loja não está aqui de fato” mas minha amígdala (botão de pânico do cérebro) acionou e parecia ter vontade própria (e ela realmente tem), por mais que eu tentasse trazer para a razão, meu corpo simplesmente não respondia e achava que estava naquele cenário que era tão real, concluindo, travei e não consegui dar continuidade (eu que em partes me considero conhecedora do cérebro humano também sou 95% emoção e instinto e apenas 5% razão e consciência).

Acho que a promotora nesse momento ficou com pena de mim, pois até uma criança de uns 8 anos alguns minutos antes, tinha completado a “tarefa”, então ela se ofereceu a me dar a mão para eu pudesse concluir a “travessia”, mas mesmo assim não consegui concluir.  Clique aqui para ver o vídeo e dar umas boas risadas.

É claro que depois disso eu fiz questão de levar minha prima e meu namorado para participarem também (apliquei “neurônio-espelho” neles com tanto entusiasmo). Ele, que morre de medo de altura, relatou ter caído antes de ter completado o jogo e eu me perguntei, esse jogo tem isso mesmo ou foi o cérebro dele que interpretou isso? Nunca saberei, rs. Eu por minha vez, não me dei por vencida e quis completar a “prova” e mesmo sabendo de tudo, como seria, etc, eu ainda me equilibrei no slackline como se fosse real, veja o vídeo aqui para mais algumas risadas.

Depois disso senti que os efeitos provocados pela minha amígdala continuavam ativos, mãos suando, pernas tremendo, garganta seca, coração acelerado, mas a adrenalina e dopamina liberadas foram sensacionais, gostinho de quero mais…

Continuando a passeada pelo shopping, ainda em êxtase, me deparo com uma segunda experiência de realidade virtual que estava acontecendo, dessa vez na Samsung (Samsung Gear VR, só lembrei da marca por causa da foto, pois não teve fixação da marca, acredito eu, por conta do resultado da experiência). Os óculos por sua vez não eram tão fechados como o anterior e você ainda tinha que segurá-los (ponto negativo) e as imagens até que eram legais, você se via surfando dentro de uma onda, depois descendo uma montanha esquiando, outra hora, você descendo uma montanha-russa, no entanto essas cenas eram muito rápidas, quando o seu cérebro começava a “entrar no clima” da brincadeira, o cenário já mudava e você nunca sentia de fato, estar dentro daquela cena simulada (o que é uma pena, se tivessem focado em ter menos cenários diferentes, porém com cenas de maior duração, acredito que a experiência seria “mais próxima da realidade” para o usuário).

Agora vamos lá para as explicações científicas, ou melhor, vamos explicar a relação do Neuromarketing com essa experiência.

Primeiramente, quando eu estava iniciando a caminhada pelo “slackline” eu imediatamente pensei “vou cair em cima dessas pessoas”, ou seja, além do medo ser ativado em meu cérebro, o que faz parte do nosso senso de sobrevivência, diante de uma “situação de perigo”, o cérebro foge/luta ou para/trava (fica imóvel). Em relação ao fato de eu imaginar que poderia cair sob as pessoas lá em baixo (não sei como meu cérebro pode pensar em tantas coisas ao mesmo tempo em tão pouco tempo, rs) nosso cérebro tem dificuldade em distinguir pessoas em filmes ou cenas de jogos das pessoas reais, ele as interpreta como sendo a mesma coisa por causa da empatia e isso é muito mais forte nas mulheres do que nos homens (é por essa razão que nos apegamos a personagens de filmes, novelas e seriados, choramos com eles, por eles e ficamos pensando neles mesmo quando a seção acaba, como se fossemos amigos(as), rs).

Segundo, nosso cérebro vive em busca de maximização de prazer e têm um problema sério com atividades que são iniciadas e não são concluídas, nosso sistema límbico (cérebro emocional) adora “Começo-e-Fim”, para ele nem importa muito o que tem no meio da história, mas se ele iniciar uma tarefa provavelmente vai te cobrar até que ela seja concluída (atribuo isso ao fato de ter feito a atividade pela segunda vez). Nessa busca incessante de prazer, nosso cérebro adora atividades lúdicas, jogos, xaradas (desde que sejam fáceis de solucionar) que acionam o sistema de recompensa do cérebro (núcleo accumbes), quando nos dão uma “tarefa” ela é vista como um desafio em prol de uma “recompensa cerebral” que pode ser a conclusão da tarefa, o desafio da superação do medo, o bônus de 20% para compra do perfume ou mesmo, a curiosidade em participar de uma experiência nova (no caso, de realidade virtual).

Essa busca pela recompensa cerebral em muitos casos, pode ser viciante. A produção do neurotransmissor dopamina que inunda nosso cérebro de prazer durante 10 minutos quando efetuamos uma compra, quando conquistamos algo que queremos muito, quando participamos de jogos esportivos ou de azar, é o mesmo que ocorre no cérebro de um viciado em cocaína por exemplo. Isso justifica a razão pela qual tantas pessoas são viciadas em jogos de azar ou mesmo, pela prática de esporte. Veja esse vídeo que mostra um exemplo que nos faz entender esse tipo de atitude…

O mesmo têm ocorrido com os jogadores ou melhor, caçadores das criaturinhas do Pokemon Go. Uma mania (ou meme) que viraliza e influenciará muitos a sua volta (você vê os outros fazendo e quer fazer também, você pode até não imitar a pessoa de fato, mas se você tem empatia por essa pessoa e certo desejo pelo que ela está fazendo, as mesmas áreas ativadas no cérebro dessa pessoa, serão ativadas no seu cérebro, chamamos isso de neurônio-espelho, os neurônios da empatia, da imitação, houve-se falar por aí também como “comportamento de banco” ou “conformidade social”, todos eles com um único propósito, ser aceito no meio de convívio buscando sobrevivência e somos assim desde a época das cavernas. Assista esse vídeo que mostra claramente um exemplo sobre o assunto.

Vale ressaltar que a experiência do Pokemon Go é de realidade aumentada (que difere da realidade virtual, pois nessa você é transportado de tal forma para a realidade virtual ou realidade simulada que seus sentidos não conseguem distinguir o lúdico do que é verdadeiro de fato) que consiste numa mescla das duas realidades, ou seja, onde sua vida real se mistura com o jogo por meio da tela de um celular ou tablet por exemplo, onde é possível enxergar os dois mundos (lúdico e real).

É importante salientar que essa busca incessante pode virar um vício, colocando até mesmo a vida do indivíduo em perigo. Em Curitiba recentemente houveram comunicados por parte de do Hospital Pequeno Príncipe e até mesmo, a empresa fornecedora de energia elétrica do estado, Copel, alertando para os cuidados dos caçadores ao invadirem áreas proibidas ou de risco humano em busca dos Pikachus e Jigglypuffs. Esse jogo é gratuito mas na verdade, nunca é de graça.

Somos a favor da tecnologia e da inovação, mas esperamos sinceramente que a realidade virtual ou que a realidade aumentada, sejam utilizadas para revolucionar essa nova era de forma benéfica, consciente e segura, que não demande uma preocupação maior nas redes sociais pelas empresas, para alertar sobre o óbvio.

Gostou desse texto? Quer conhecer mais sobre o assunto em nossas palestras ou workshops? Entre em contato com a gente 😉

2 thoughts on “O Neuromarketing e a Realidade Virtual x Realidade Aumentada

  1. Ótimo post Adriana!!! Muito rica a sua descrição com o experimento de realidade virtual. Acho importante ressaltar a diferença de realidade aumentada e realidade virtual. O Pokemon Go, apesar de fazer a pessoa ficar praticamente imersa naquela experiência, ainda é um dispositivo de realidade aumentada. A experiência com o Skyline na Natura e com o dispositivo da Samsung podem ser consideradas realidade virtual, por inibir os demais sentidos e te transportar de realidade.

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