Neurociência

Neurociência: As “INAS” do cérebro nosso de cada dia

Quando se começa a estudar mais a fundo a neurociência, o cérebro e o comportamento humano, acabamos nos deliciando pelos novos conhecimentos obtidos por duas razões: primeiro porque todo mundo gosta quando falam de coisas que tem a ver com você (o cérebro é autocentrado, o ser humano é egoísta por natureza e está tudo bem, todos somos assim), e cria identificação, a pessoa se sente única (mesmo sabendo que a maioria dos seres humanos do planeta provavelmente são assim também e esse assunto, também fará sentido a eles); segundo porque sempre que descobrimos algo que nos beneficia, ficamos interessados e queremos mais e mais, pois aquilo passa a ter relevância para mim, e o cérebro é assim mesmo, sempre está em busca de maximizar o prazer (de preferência agora!) e minimizar a dor (futura).

E um dos assuntos mais deliciosos (digamos assim) referente ao nosso cérebro e ao nosso funcionamento (na minha opinião) são os neurotransmissores que nada mais são do que substâncias químicas liberadas pelos neurônios no momento de troca de informação (sinapses) entre eles.

O neurotransmissor nem sempre é um hormônio, pois ele pode ser liberado diretamente no sangue (hormônio) ou diretamente entra as sinapses. Se quiser se aprofundar mais nesse tema, clique aqui pois o objetivo desse texto não é acadêmico e não tem cunho médico (nem desse blog), é o de simplesmente compartilhar uma opinião pessoal (já vou me antecipando aos “críticos” e “juízes” de plantão).

• OCITOCINA:

Hormônio transmitido no leite no momento da amamentação (devido a sucção do bebê), e na contração do útero no momento do parto, também é conhecido como hormônio do amor devido ao seu papel social e emocional: melhora o humor, diminui a ansiedade, auxilia na percepção das expressões emocionais e da sensibilidade, diminui a sensação de estresse, melhora a o prazer e o interesse no momento do contato íntimo, deixa as pessoas mais generosas e amáveis (inclusive homens que muitas vezes tem a ação desse hormônio bloqueada pela ação da testosterona) e é transmitido (ou melhor, liberado) no momento de um abraço ou na prática de boas ações.

• SEROTONINA:

Neurotransmissor responsável em nosso cérebro por regular o sono, humor, temperatura do corpo, ritmo cardíaco, apetite, entre outros. Se encontrado em pequena quantidade no organismo pode ocasionar em mal humor, sonolência diurna, distúrbios de memória e concentração, irritabilidade, inibição do desejo sexual e compulsão por comidas e doces principalmente. Uma forma de aumentar a serotonina (além da prática de esportes) é consumindo alimentos ricos em triptofano: castanhas do Pará, vinho tinto, chocolate preto, banana, abacaxi, carnes magras, leites e derivados, cereais integrais e tomate. Clique aqui para ver como fica o seu cérebro no momento de atividade física.

• DOPAMINA:

A vilã do consumo desenfreado é liberada após cada nova compra e dura até 10 minutos em nosso organismo estimulando nosso circuito de recompensa de prazer do cérebro. Gera a mesma sensação em viciados por jogos de azar, prática de esportes físicos ou usuários de cocaína. Produzida no hipotálamo, é extremamente benéfica se liberada sem excessos pois é o neurotransmissor fundamental para a motivação, foco e produtividade. Pode ser gratuitamente liberada em ações como gratidão, cumprimento de metas ou de listas de afazeres diários e alimentos ricos em tirosina: Cacau, feijão, amêndoas, sementes de abóbora, ameixas, mirtilo, chá verde, melancia, maçãs, beterrabas, etc. Distúrbios em sua produção podem ocasionar Mal de Parkinson, esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

• ENDORFINA:

É um neuro-hormônio que tem uma potente ação analgésica estimulando a sensação de bem-estar, conforto, alegria e melhora do estado de humor. Liberada durante e depois da prática do exercício físico.

• MELATONINA:

Hormônio ligado ao ciclo circadiano, produzido pelo corpo para a indução ao sono e do metabolismo ao longo do dia. Responsável pela fixação das memórias de curta duração no hipocampo (para que virem memórias de longa duração) são ativadas durante o sono. Acredita-se que ela tenha contribuição nas funções de regeneração celular e auxilie o corpo a combater inflamações no organismo.

• ADRENALINA:

Hormônio (e neurotransmissor) liberados no sangue quando nosso cérebro percebe que estamos numa situação de perigo ou tensão que demande determinado esforço físico. Normalmente são reflexos desse hormônio a sudorese, dilatação das pupilas e brônquios, aumento dos batimentos cardíacos e vasoconstrição. Este último acontece para que o sangue chegue mais rápido aos órgãos principais (coração e cérebro) e dessa forma, melhore nossa atenção e auxilie no aprimoramento de habilidades físicas e cognitivas. Esse hormônio foi fundamental na evolução humana e seleção natural, pois quando o homem das cavernas precisava se alimentar, necessitava de um estímulo físico para ir em busca do seu alimento. No entanto, se produzido em excesso, esse hormônio pode gerar estresse, transtornos de ansiedade, diabetes e hipertensão.

• CORTISOL:

Não tem INA no nome mas não poderia finalizar a matéria sem falar dele, afinal, é o excesso dele no organismo que gera o estresses, lapsos de memória, aumento de peso, diminuição da libido, perda de massa muscular e doenças ocasionadas pelo excesso de estresse. Produzido na quantidade adequada, ajuda o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuindo para o correto funcionamento do sistema imune. Também é responsável por manter os níveis de açúcar no sangue e pressão arterial constantes.

Na prática de uma corrida (ou exercícios aeróbicos) além de acionar áreas cognitivas e regiões relacionadas ao processo de aprendizagem e memória, você também pode liberar vários neurotransmissores durante sua prática: primeiro a adrenalina e a serotonina, depois a endorfina e a ocitocina.

Agora vamos ter um pouquinho mais de amor próprio (ou pelo próximo que também já ajuda bastante) e sair desse celular ou do computador e fazer alguma atividade física? O cérebro (e o corpinho) agradecem 😉

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One thought on “Neurociência: As “INAS” do cérebro nosso de cada dia

  1. Aumentar a compreensão do cérebro e métodos aperfeiçoados para estudá-lo permitirá aos cientistas desenvolver tratamentos para doenças neurodegenerativas (como a doença de Alzheimer) e doenças mentais. A pesquisa também nos ajudará a descobrir mais sobre comportamento humano normal e bem-estar mental, e pode ajudar a desenvolver a inteligência artificial. Além de tratar doenças, a pesquisa também pode levar a uma melhor compreensão de como aprendemos, o que nos permite otimizar nossa inteligência.

    Estes desenvolvimentos são susceptíveis de proporcionar benefícios significativos para a sociedade e têm implicações para uma diversidade de áreas de políticas públicas, tais como saúde, educação, direito e segurança. No entanto, também levantarão questões sociais e éticas importantes e levantarão questões sobre personalidade, identidade, responsabilidade e liberdade.

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