Biologia do Consumo/ Neuromarketing/ Pesquisa Neurocientífica

Mitos e verdades sobre o Neuromarketing

Quando nos deparamos a determinado termo novo que está em alta no mercado e gera um interesse muito grande por parte das pessoas, é necessário colocar o senso crítico para funcionar.

Em épocas onde tudo o que é “neuro” está sob o foco da atenção das pessoas, estudantes e empresas, esse cuidado se faz ainda mais necessário, para entender o que o tema significa exatamente e ficar livre das “neurobobagens” que dizem por aí.

A neuroeconomia, assim como o neuromarketing, tem todo um embasamento científico, onde as pesquisas neurocientíficas são utilizadas para que se possa entender o funcionamento do cérebro, mais especificamente o comportamento de consumo (neurociência do consumo) em situações de compra e tomada de decisão. Se quiser entender mais sobre o assunto, leia essa matéria introdutória sobre o neuromarketing.

Para te ajudar de forma simples e objetiva (afinal, hoje o bem mais precioso das pessoas é o tempo), listamos aqui alguns mitos e verdades para que você não se deixar enganar pelas inverdades ditas por pessoas que se apropriam do tema sem nenhuma propriedade ou conhecimento científico para embasar e justificar suas afirmações. São eles:

– O neuromarketing é uma hipnose da publicidade? MITO!

O neuromarketing é uma ciência que surgiu por volta de 2000 que visa entender a lógica do consumo e a essência do comportamento do consumidor por meio da neurociência do consumo. A neurociência por sua vez é a ciência que estuda o sistema nervoso, conexões neurais e tudo o que está relacionado ao funcionamento do cérebro (e não tem nada de hipnose nem no neuromarketing, nem na neurociência do consumo!).

– 95% das nossas ações são tomadas no inconsciente? VERDADE!

De 85% a 95% das nossas ações são tomadas no inconsciente (cérebro irracional ou cérebro emocional). Quando temos consciência dessas ações (cérebro racional), elas já foram anteriormente processadas pelos outros dois cérebros.

– As pessoas falam a verdade numa pesquisa tradicional? MITO!

Na maioria das vezes perguntar a um possível consumidor se ele compraria determinado produto é dar um tiro no pé em qualquer estratégia de lançamento. Isso porque as pessoas não podem dizer por que elas fazem o que fazem pois quando perguntamos a ela sobre uma ação irracional (ação de compra) estamos conduzindo-a racionalizar uma atitude que foi irracional. Em outros casos ela apenas responde o que acha que ficaria bem para ela responder, ou o que acha que o entrevistador gostaria de ouvir ou pior, o que ela deseja no seu íntimo que fosse a realidade. Isso é comprovado pela taxa de insucesso de 80% dos novos produtos que vão a falência logo após ter sido lançados. Por essa razão é recomendado o uso de pesquisas neurocientíficas para validação de novos produtos ou campanhas de lançamento efetivas.

– 92% dos consumidores dizem que o visual é o fator mais importante na compra do produto? MITO!

O cérebro é 70% visual mas isso não significa que a visão ou o visual do produto foi a razão pela qual o cliente escolheu entre comprar o produto ou não. As pesquisas neurocientíficas conseguem mostrar quais elementos chamaram a atenção de um cliente, analisar o engajamento, valência positiva e negativa (sua reação emocional a determinado estímulo), taxa de atenção, batimento cardíaco, taxa de respiração e temperatura da pele. A análise minuciosa desses dados resulta em indicadores confiáveis de emoção e cognição, não são respostas especializadas do cérebro muito menos podem identificar o porquê da compra de m produto.

– O ser humano é egoísta / egocêntrico? VERDADE!

Uma característica (talvez a mais relevante) do ser humano é o fato dele ser autocentrado (focado no eu). Isso significa que a personificação da comunicação ou até mesmo de produtos trarão melhor resultado ou que assuntos relacionados com o eu do público-alvo terão maior aderência. Exemplos: Coca-Cola com o nome estampado na lata. Reconhecimento público pelo nome em uma rede social (seja pessoal ou empresarial). Matéria ou post de assunto que me interessa e tem a ver com que eu acredito (eu, eu, sempre eu).

– O neuromarketing usa de manipulação para vender? MITO!

O neuromarketing não usa de manipulação até porque o cliente já possui o desejo de consumo no inconsciente dele (mas ainda não tem consciência). O que fazemos é usar de técnicas de persuasão para chamar a sua atenção para determinados benefícios que ele procura ou precisa e nos encarregamos de que a entrega (promessa) seja cumprida e de preferência, vá além das expectativas do cliente para criar fidelização. De nada adiantaria usar de manipulação se na compra de um serviço ou produto o cliente não receber o que foi prometido. Isso resultará num cliente frustrado e a venda ocorrerá uma única vez. O neuromarketing utiliza dos conhecimentos genéticos e necessidades biológicas se comunicando com quem realmente toma a decisão, o inconsciente.

– Nosso cérebro é igual dos homens das cavernas? VERDADE!

O cenário mudou, os homens não caçam mais nas savanas, mas continuam tendo o mesmo instinto caçador e o mesmo senso se geo-localização e acredite, a mesma estrutura cerebral e cognitiva que tinha há 100 mil anos. As mulheres por sua vez, não precisam mais pedir para as colegas de caverna olharem seu filho para que ela possa buscar raízes e roedores (coletoras) enquanto aguardam o marido voltar da savana, mas continuam sendo empáticas, adoram socializar e tem um senso de localização de objetos fenomenal.

– A forma de comunicação para o cérebro é diferente em culturas diversas? MITO!

A linguagem do cérebro é universal, basta entender como funciona a biologia de comportamento do ser humano e como a genética age sob esse comportamento muito mais do que imaginamos. A cultura pode influenciar apenas no caso da implantação de um meme (memética) que faz sentido em algumas regiões e outras não ou em casos específicos de consumo de produtos locais e crenças locais, porém as necessidades básicas de reprodução e sobrevivência do seu humano independem da região geográfica em que estão situados.

Como toda ciência, o neuromarketing pode ser usado para o bem ou para o mal. Tenha consciência e integridade na aplicação dele, você só tem a ganhar 😉

 

One thought on “Mitos e verdades sobre o Neuromarketing

  1. Interesante como nosso cerebro aje quando temos desejos de consumir algo que deseamos para consumo, os neuros conhecimentos estao pra entermos como las se toraram ferramentas fundamentais pra nossos conhecimentos. Muito bom, parabenss

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