Biologia do Consumo/ Neuromarketing

Liquidações: Entendendo como seu cérebro consumista funciona

Somos seres previsivelmente irracionais. Seres que sofrem muito mais quando perdem dinheiro do que se alegram quando ganham dinheiro. E por mais que tenhamos uma capacidade imensa de aprendizado, acabamos cometendo os mesmos erros pois não somos coerentes ou racionais quando o assunto é dinheiro.

Por essa razão temos tanta dificuldade em poupar ou em investir em algo que trará segurança, recompensa ou prazer futuro ou pagamos muito mais caro do que determinado objetivo vale por conta da concorrência dele ou da ameaça de não ter mais o produto a disposição caso não seja comprado naquele exato momento.

Já sabemos que as palavras “Promoção”, “Liquidação”, “On Sale” mesmo muito batidas na comunicação e em muitos casos, não condizentes com a situação de vantagem ao consumidor que buscam passar, são algumas das palavras mais fortes dentre as 12 definidas como as palavras mais persuasivas pela Universidade de Yale.

Quando o cérebro percebe que algo está “mais barato” do que normalmente custaria ele vê no produto ou serviço uma possibilidade de recompensa cerebral imediata ou de curto prazo (liberação de dopamina no circuito de recompensa e prazer). Mas cuidado! O simples fato do produto ou serviço estar em promoção pode ser uma desculpa para você justificar uma compra por impulso de algo que você não necessita.

Que atire a primeira pedra quem nunca comprou algo que não precisava porque o item estava “barato”…

No entanto nosso post de hoje, esclarece alguns pontos sobre o funcionamento do cérebro de modo a te permitir entende-lo de forma a não cair nas armadilhas que criamos ou desculpas que contamos a nós mesmos para justificar de forma racional compras impulsivas que fazemos de forma irracional.

1 – A influência dos hormônios

Os hormônios exercem um grande efeito sob o nosso humor, nossa percepção das coisas e consequentemente, sob nossas ações. Nossa maneira de perceber um produto ou serviço pode nos fazer valoriza-lo muito além do que ele vale. E quando isso acontece, indica que há mais hormônios agindo por trás de uma decisão de compra do que nossa racionalidade tem percepção.

Que atire a primeira pedra, a mulher que nunca comprou uma roupa ou sapato novo só porque estava de TPM…

2 – Lógica da Irracionalidade

Sempre que compramos algo buscamos razões racionais para justificar um comportamento que na maioria das vezes é irracional. Tentamos encontrar uma justificativa lógica naquela ação. Fazemos isso para diminuir a dissonância cognitiva (sentimento de arrependimento e culpa depois da compra). Outras vezes começamos a reclamar de algo que temos como forma de justificar a compra de um novo, como se o produto anterior, antigo, velho não nos atendesse mais justificando assim a compra do novo e diminuindo a chance de se arrepender, já que você precisa daquilo…

Que atire a primeira pedra, o homem que nunca trocou de carro pagando o dobro do que o seu antigo carro valia porque o antigo passou a ter um preço ruim de revenda, começou a consumir muito combustível ou iniciaria a partir de então, a necessidade de manutenções que ainda nem aconteceram, como forma de justificar sua compra desnecessária…

O que é pior, nesses casos há sempre aquele pedido do melhor amigo para avaliar a compra do carro novo e reafirmar que ele fez o negócio certo.

3 – Autoindulgência

Justificamos o fato de estarmos trabalhando muito, o fato de não estarmos indo a academia, o fato de estarmos ausentes dos nossos grupos sociais, enfim, nosso cérebro não tem limites para criatividade quando o assunto é, dizer que merecemos algo, afinal de contas, trabalhamos tanto, estamos tão cansados, somos tão merecedores, para justificar de forma logica uma atitude não logica e muitas vezes, desnecessária.

Que atire a primeira pedra quem nunca se deu ao luxo de um produto caro (mesmo sabendo que poderia encontra-lo mais barato, afinal de contas quando a emoção está gritando é ela quem comanda nosso deleito consumista), afinal de contas, merecemos…

Poderia citar muitos outros exemplos, com os quais você conseguira se enxergar ou identificar pessoas com o mesmo comportamento. Mas o intuito aqui não é te criticar, lembre-se, quem escreve esse post tem o mesmo cérebro consumista que você, afinal de contas somos seres humanos em busca de sobrevivência e reprodução, mas quando trazemos algo do inconsciente e pensamos de forma racional a respeito, aquilo que agia de forma automática em nosso ser, pode ser facilmente identificado (passa a ser consciente) e evitado, ou pelo menos, reduzido de forma a não comprometer suas finanças.

Entendeu? Ainda não sabe como driblar o seu cérebro para não cair nas armadilhas do consumo irracional? Clique aqui e leia a continuação dessa matéria.

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